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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
DINHEIRO X MATRIMÔNIO: CASAMENTO REQUER INVESTIMENTO UM NO OUTRO
SÃO PAULO - Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center com mais de dois mil adultos norte-americanos revelou que, entre os anos de 1990 e 2007, cresceu de 46% para 53% o número de pessoas que achavam que o dinheiro é o fator mais importante para o sucesso do casamento.`As pessoas, quando se casam, estão apaixonadas, preparam surpresas uma para a outra, se presenteiam e, com o passar do tempo, vão deixando isso de lado. Normalmente, o casal decide que quer fazer uma viagem dos sonhos daqui alguns anos, ou pretendem comprar uma casa, e aí querem reduzir gastos para juntar dinheiro e acabam diminuindo a verba que usavam para agradar um ao outro, por exemplo. Esse é o primeiro passo para o casamento começar a dar errado, é preciso investir um no outro`, garante o autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, Gustavo Cerbasi.Para o autor, casamento é união e um casal que opta pelo matrimônio precisa unir também suas finanças. `Não dá para um ganhar mais, outro menos, e ambos dividirem as contas pela metade e um ter mais que o outro para gastar com despesas pessoais, por exemplo. Isso acaba fazendo com que haja diferença social debaixo de um mesmo teto, o que com certeza afasta o casal. Eu já tive um cliente que ganhava R$ 35 mil e sua esposa R$ 3 mil. Eles dividiam tudo igualzinho, e ele não aceitava comprar uma casa nova porque ele não queria pagar tudo sozinho e o dinheiro dela não dava para rachar a prestação`, conta.Falando de dinheiroCerbasi afirma ainda, que para um casal ter harmonia financeira é preciso respeito e conversa. `As pessoas são diferentes e o jeito com que cada um lida com dinheiro também é. Dentro de um casal, um precisa respeitar a maneira do outro e juntos encontrar uma forma que seja boa para os dois. É preciso um jogo aberto, para que o casal consiga construir riqueza por vontade de ambos, não por realização de um em detrimento da vontade do outro`, afirma.Os casais precisam se sentir à vontade para definir limitações de gastos e para decidir juntos seus investimentos, por uma razão simples: relacionamento bancário mais intenso significa acesso a melhores produtos. `Por isso aconselho que o casal tenha uma conta conjunta, pois quanto mais dinheiro, mais vantagens bancárias terá. Mas também aconselho manter uma conta individual, para poder comprar um presente surpresa para o cônjuge sem que ele saiba quanto você gastou`, afirma Cerbasi.Gastar, além de guardarE se muitos consideram que guardar, poupar e investir são as ações mais sensatas na hora de planejar o futuro financeiro, com o objetivo de conquistar uma vida tranqüila e um futuro sem grandes preocupações, Cerbasi pensa um pouco diferente.`É preciso poupar sim, mas não tudo, afinal dinheiro foi feito para gastar. Para ganhá-lo nós perdemos tempo em que poderíamos estar com as pessoas que amamos, por isso ele deve nos trazer prazer, e poucos sentem prazer em guardar tudo. No entanto, é preciso gastar com inteligência e consciência, porque dinheiro não traz felicidade, mas permite que a gente tenha maior liberdade para escolher fazer apenas o que quer, e isso sim nos faz feliz`, afirma.`Um erro que identifico muito entre as pessoas com quem trabalho é o fato de que, na hora de fazer o planejamento financeiro, elas contabilizam os gastos básicos, como habitação, comida, estudo e só gastam com lazer o que sobra, quando sobra. E para mim, lazer precisa estar em primeiro lugar, porque é isso que nos dá prazer, é isso que nos faz feliz, é por isso que trabalhamos. Eu sou bem radical, a ponto de achar que se o dinheiro vai todo para a prestação da casa própria, é melhor viver de aluguel e se divertir`, polemiza o financista.
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