(CLAUDIA ROLLIFÁTIMA FERNANDES)
O consumidor que compra nos camelôs cópias de `Tropa de Elite` ou de `Duro de Matar 4` --filmes em cartaz nos cinemas do país-- alimenta uma indústria que está nas mãos de máfias internacionais e de quadrilhas instaladas no país.A pirataria --ao menos a maior parte dela-- tem origem nos países asiáticos, onde as `matrizes piratas` (de filmes, CDs de música, games e softwares) são feitas e reproduzidas em larga escala para abastecer o mercado mundial, inclusive o brasileiro, segundo o CNCP (Conselho Nacional de Combate à Pirataria), ligado ao Ministério da Justiça.Os produtos piratas atravessam o mundo em navios que chegam a trocar de bandeira na Europa para despistar e confundir a fiscalização no Brasil.`Há uma indústria do crime organizado atrás dos CDs, dos DVDs e dos games piratas, concentrada na China. Quadrilhas oferecem grandes prêmios a quem `vaza` versões antes de lançamentos, produzem em escala industrial na China e trazem produtos ao Brasil com preço subfaturado. Declaram um valor pífio na guia de importação e recolhem impostos sobre quase nada`, diz Alexandre Cruz, que preside o FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade), que reúne empresas de 30 setores produtivos. `A produção é asiática em sua esmagadora maioria.`Associações que representam e combatem a informalidade no setor de cinema e música acreditam que a pirataria de filmes estrangeiros comece principalmente pelo `camcording` --gravação feita com câmeras de vídeo portáteis nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá nos primeiros dias de exibição de um filme. O que vem da China, segundo as produtoras, são principalmente as mídias virgens.Quando o filme chega à internet, os `piratas` brasileiros fazem o download e disparam essa `matriz pirata` para ser reproduzida em fábricas clandestinas dentro e fora do país. São os chamados `laboratórios`.O resultado é imediato: toneladas de filmes são vendidas nas ruas de comércio popular. `Três por R$ 10`, anunciam os ambulantes. Um DVD original chega a custar R$ 39.Tanto o governo como as associações dizem que a indústria de DVDs e CDs piratas se sofisticou e expandiu sua logística fora e dentro do Brasil, com a criação de `laboratórios` espalhados por todo o país.De janeiro a setembro, 109 `laboratórios` foram localizados por policiais no país. E, de janeiro a outubro, 152 pessoas foram condenadas por prática de pirataria de filmes e de CDs.Em cada `laboratório` são instalados, em média, de 10 a 20 `queimadores`, como são conhecidos, no vocabulário dos `piratas`, os computadores utilizados para reproduzir as mídias. Juntos, esses equipamentos têm capacidade para fazer centenas de cópias por dia.Parte dos equipamentos usados para `queimar` os CDs e DVDs vem de Miami, via importações ilegais, diz a Receita. Na internet, é possível achar gravadores, com capacidade para reproduzir 11 DVDs simultaneamente, por R$ 2.190.`A produção e a distribuição de DVDs e CDs piratas no Brasil são comandadas por redes mafiosas envolvidas com a corrupção de agentes públicos e com a lavagem de dinheiro`, diz Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, que preside o CNCP.As investigações identificaram que as cópias piratas são feitas na Ásia (China) ou em países vizinhos (Paraguai e Uruguai). Entram no país por fronteira seca, em cidades como Pedro Juan Caballero e Ciudad del Leste (Paraguai). Também chegam pela Bolívia, pelo Uruguai e por portos como Santos, Paranaguá e Vitória.`Essa indústria possui um sistema de logística comum com o tráfico de armas e drogas. Nas apreensões, vimos que drogas, munições e componentes de armamentos estavam nos mesmos carregamentos de produtos piratas`, diz Cruz.
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