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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

QUADRILHA TENTOU USAR ERRO EM DOCUMENTO DO BB PARA FRAUDE DE R$ 1 BI

(YGOR SALLES)

Um erro de digitação em um informe de rendimentos do Banco do Brasil há dez anos quase causou um rombo de R$ 1 bilhão aos cofres do banco. Uma quadrilha tentou fazer uso deste erro --que já tinha sido corrigido pelo banco-- para receber o dinheiro. Este grupo foi preso nesta sexta-feira pela operação Alquimista da Polícia Federal.Foram detidos temporariamente até o momento 23 pessoas, e uma está foragida. Entre eles estão dois analistas do Banco do Brasil, dois auditores da Receita Federal, um ex-delegado da Polícia Federal, quatro advogados, um ex-deputado estadual do Rio (que também era oficial de alta patente da reserva do Corpo de Bombeiros) e vários doleiros.Tudo começou há cerca de dez anos, na cidade de Americana (128 km de São Paulo). Um cliente do Banco do Brasil recebeu seu informe de rendimento --documento usado para declarar o Imposto de Renda-- que tinha valores muito superiores aos verdadeiros.Preocupado com a possibilidade de ter que pagar um alto valor de imposto devido ao documento, o cliente --um aposentado morador da cidade-- pediu a correção dos valores no banco, no que foi prontamente atendido.Porém, anos depois, ele resolveu tentar convencer o banco de que era o real dono do dinheiro-- que chegaria, nos valores de hoje, em R$ 1 bilhão.Esta mudança de atitude teria sido influenciada por alguns dos integrantes da quadrilha, que o convenceu de pedir o dinheiro ao banco. A Polícia Federal ainda não sabe explicar como foi feito o contato entre o cliente do BB e o grupo criminoso.Assim que detectou a possibilidade de fraude no pedido do aposentado, o Banco do Brasil notificou a PF --que iniciou as investigações há um ano e meio.`O banco nos contatou e iniciamos as investigações`, disse Rodrigo de Campos Costa, delegado responsável pelas investigações da operação. A preocupação do banco, disse o delegado, não era em perder o dinheiro --pois tinha certeza de que o pedido não procedia-- e sim em tentar descobrir se havia funcionários do próprio BB envolvidos.O esquema era sofisticado. A quadrilha tinha funcionários do BB para ajudar no trâmite administrativo, advogados e o ex-deputado faziam lobby pela liberação dos recursos e funcionários da Receita Federal chegaram a fazer um comunicado falso ao cliente de cobrança de impostos referentes ao valor que estaria no banco para ser usado como `prova` da existência dos valores.Caso a quadrilha conseguisse sacar o dinheiro, doleiros que faziam parte do grupo já tinham montado uma operação que pulverizaria os recursos entre contas na Suíça, Uruguai e Estados Unidos. As 15 contas localizadas no Uruguai e nos EUA já foram bloqueadas através do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional).Os envolvidos responderão por crimes de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, tentativa de estelionato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, cujas penas variam de cinco a dez anos anos de reclusão.Além das prisões, a PF apreendeu computadores, documentos e R$ 65 mil em dinheiro encontrados com os membros da quadrilha. `A partir deles podemos continuar as investigações`, disse Costa.O objetivo da operação agora é descobrir, através dos documentos apreendidos, mais sobre o esquema de lavagem de dinheiro dos doleiros envolvidos. `Outros fatos que poderão vir a surgir estarão sujeitos a investigações futuras`, disse o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saad.

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