(YGOR SALLES da Folha Online)
O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, disse nesta terça-feira que irá brigar para participar da compra dos bancos estaduais --especialmente Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) e BRB (Banco de Brasília)-- e da folha de pagamento de funcionários de Estados e municípios.O banco disse acreditar que a incorporação do Besc e a compra do BRB pelo Banco do Brasil é ilegal, já que a venda de bancos públicos deve passar por um processo de licitação. `Entendemos que há uma privatização [do BRB e do Besc] e deveria ser uma licitação`, disse Cypriano. `Pretendemos participar de todos eles.`Quanto à quebra dos contratos de aquisição de folhas de pagamento dos funcionários de Santa Catarina e Maranhão, Cypriano informou que irá esperar o desenrolar destas brigas na Justiça.Porém, o presidente do Bradesco não vê nestas aquisições a saída para crescer diante da ameaça da concorrência --especialmente a do Santander, prestes a comprar o Real. Para ele, o crescimento orgânico segue como prioridade. `Temos um poder de crescimento orgânico muito grande`, lembrou Cypriano, citando o fato do número de clientes já ter crescido em 1 milhão só neste ano.As futuras aquisições do banco dependem mais das oportunidades que aparecem, principalmente entre bancos médios, do que da procura em si. `O BMC, por exemplo, nos procurou para abrir capital. Nós analisamos e sugerimos a compra [pelo Bradesco]`, disse ele, acrescentado que `está muito satisfeito` não só com este negócio como também com a compra da Amex (American Express) no Brasil.TarifasCypriano ainda defendeu o preço das tarifas bancárias praticadas pelo Bradesco. Segundo uma pesquisa feita pelo departamento econômico do banco, das 53 tarifas bancárias para pessoa física, 34 tiveram reajustes menores do que o IGP-M nos últimos cinco anos, duas ficaram iguais 17, acima.Dos que superaram a inflação, destacam-se as cobradas por serviços relacionados a cheque e saque de dinheiro no caixa --numa tentativa do banco em estimular o uso de cartão.
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