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sexta-feira, 9 de novembro de 2007
E MAIS FRAUDES: MAIS 4 ADVOGADOS GAÚCHOS PRESOS NA OPERAÇÃO QUE APURA FRAUDES NO DETRAN
A Polícia Federal prendeu 14 pessoas no Rio Grande do Sul, na manhã de ontem (06), no curso da chamada Operação Rodin, todas de médio ou grande destaque político e social. Entre os que tiveram sua liberdade tolhida estão quatro advogados. A mulher de um deles (também advogada) foi detida para prestar depoimento, sendo a primeira a ser liberada, por volta das 20h. - ainda na terça-feira.A ação deflagrada na madrugada tinha como objetivo desarticular um grupo acusado de fraudar contratos públicos realizados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul. Além das prisões, foram realizadas apreensões de bens, bloqueadas contas bancárias e realizadas buscas de documentos e computadores em 43 diferentes lugares. As atividades foram desencadeadas, simultaneamente, em Porto Alegre, Canoas e Santa Maria.Veja a nominata das pessoas - em ordem alfabética - levadas pela Polícia Federal: quatro já foram liberadas.Alfredo Pinto Telles, cunhado de Lair Ferst;Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor-geral da Assembléia Legislativa do Estado e diretor administrativo da CEEE (demitido ontem do cargo pela governadora Yeda Crusius);Carlos Ubiratan dos Santos, advogado, ex-presidente do Detran (no governo Germano Rigotto) e atualmente diretor de Administração de Finanças do Trensurb (estatal federal, que cuida do metrô da região metropolitana de Porto Alegre);Dario Trevisan de Almeida (diretor da Cooperves – Comissão Permanente de Vestibular da Universidade Federal de Santa Maria);Flávio Vaz Neto, atual diretor-presidente do Detran (demitido já ontem, do cargo, pela governadora Yeda Crusius), ex-conselheiro seccional da OAB-RS, procurador do Estado e vice-presidente do Conselho de Administração do Grêmio; foi liberado às 4h. da madrugada desta quarta-feira;Ferdinando Fernandes (filho de José Fernandes), advogado, responsável pela empresa Pensant Consultores Ltda;José Fernandes, fundador da FATEC (fundação de direito privado, terceirizada pela Universidade Federal de Santa Maria), ex-presidente da extinta Caixa Econômica Estadual e um dos donos da empresa Pensant Consultores Ltda;Lair Ferst, lobista que atua junto ao governo estadual e algumas administrações municipais; foi um dos assessores de Yeda Crusius em sua campanha ao Piratini;Luciana Cordeiro, advogada, ex-secretária executiva da FATEC; foi liberada na manhã desta quarta-feira;Patrícia Jonara Bado dos Santos, advogada, mulher de Carlos Ubiratan dos Santos; na gestão passada (2004/2006) da OAB gaúcha, ela foi diretora-secretária-geral adjunta; liberada na noite de ontem, após prestar depoimento;Paulo Sarkis, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria;Rosana Ferst, irmã de Lair; foi liberada na manhã desta quarta-feira;Rubens Höehr, advogado, ex-secretário da Fazenda do Município de Canoas;Silvestre Selhorst (ex-secretário da FATEC).Todas as prisões foram decretadas pela juíza federal Simone Barbisan Fortes, da 3ª Vara Federal Criminal de Santa Maria (RS), que ainda determinou o afastamento dos presos que ocupam cargos e funções no serviço público.Conforme a PF, a suposta fraude teve início quando o Detran contratou a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), ligada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), para realizar as provas de aptidão dos candidatos a obter ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação. Irregularmente, a Fatec teria terceirizado a elaboração dos testes para três empresas e um escritório de Advocacia.Investigações no sistema financeiro e grampos telefônicos indicariam, segundo a PF, que as três empresas terceirizadas superfaturavam os serviços (cobravam a mais do Detran do que o estabelecido em contrato). O dinheiro resultante do superfaturamento seria enviado a diretores do Detran. De acordo com o superintendente da PF no Estado, Ildo Gasparetto, as empresas pagariam suborno pelo fato de terem sido contratadas sem licitação.- A propina era enviada por malas, em cédulas, ou então por meio de empréstimos bancários simulados. É por isso que os presos também são suspeitos de lavagem de dinheiro - disse o delegado Alexandre Isbarrola, do Núcleo de Repressão a Crimes Financeiros da PF.As investigações, iniciadas há mais de um ano, ganharam impulso em abril deste ano, a partir das denúncias de supostas irregularidades no Detran feitas pelo então secretário da Segurança Pública, Enio Bacci. Há três meses, a apuração foi instalada oficialmente. A PF agiu com o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual, o Ministério Público Especial (vinculado ao Tribunal de Contas do Estado) e a Receita Federal. Essa união ocorreu porque as suspeitas envolvem órgãos federais (como a UFSM) e estaduais (como o Detran).
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