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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O PLEBEU NA REPÚBLICA DE COROA

Por Francisco Gomes

Há um ditado vulgar que diz “não sou rei mas gosto de coroa”, normalmente dito por “plebeus”. Calma! É só para instigar o raciocínio e, talvez, não seja o que você esteja pensando. Depois desta, como diria meu avô, “pilhéria” vamos falar sério. O Brasil é uma República desde 1889 e em 1891 tivemos a primeira Constituição Republicana que nos legou dentre outras coisas: a liberdade religiosa.O “proclamador” da República, o Marechal Deodoro da Fonseca, Monarquista convicto da noite para o dia virou Republicano. Casuísmo puro! Naquele momento os ideais da República eram um grande negócio para os Militares à media em que os oligarcas, à época, idealizavam essa virada. Foi aí que o Marechal de água virou Marechal de vinho. O plebeu, ou melhor, o povo estava muito longe de tais movimentações e idealizações.Nesse momento ímpar da nossa história, houve a separação entre o Estado Brasileiro e a Igreja Católica que era a detentora do monopólio: da fé, da educação e das injunções políticas. Estavam criadas as pré-condicões para a quebra desses monopólios mas a postura reacionária do clero não deu margem a tais inovações. Mesmo a quebra do monopólio da fé, pela perda da condição de oficial, só veio a longínquo prazo. O analfabetismo de mais de 80% naquele tempo foi fundamental para isso (vejam o desserviço católico à Educação Brasileira ao contrário do que ocorreu às 13 colônias inglesas da América do Norte). Só a partir do meado do século XX o povo brasileiro se deu conta da liberdade religiosa e passou a ter mais vontade própria para usufruto desse e de outros potenciais benefícios da República. Ainda hoje o plebeu (o povo) não sabe responder à seguinte pergunta: QUEM NASCEU PRIMEIRO, O ESTADO OU O CIDADÃO? Falta-lhe consciência crítica e segundo alguns “GRANDES ESTUDIOSOS” é necessário que se lhe dê Educação para capacitá-lo à resposta. Lógico, essa consciência crítica só mediante Educação. Mas e a Educação quando virá? A condição sine qua non para que isto suceda é a vontade intrínseca. Aquela que verte de dentro para fora e não no sentido inverso, como nos fazem crer certos estudiosos das Ciências Sociais no Brasil.Mesmo que não tenhamos feito por merecer os ideais republicanos, eles estão aí ao nosso alcance. Ainda que nos tenham chegado por mero casuísmo, não importa!. O usufruto deles só depende de nós mediante a nossa vontade. Se continuarmos como um pai (o cidadão) prostrado diante do filho (o Estado) que após usurpar o lugar desse pai age como um provedor insensato e mesquinho, então não chegaremos a lugar nenhum em desenvolvimento humano e justiça social.Essa postura patrimonialista e messiânica é resquício dos absolutismos monárquico e católico. Essa letargia é proveniente da não capitalização do vento auspicioso da liberdade religiosa, tão alvissareiro na Europa do século XVI com a Reforma Protestante. Basta de sociedade pesarosa e culposa, geradora de mendicância e injustiça social. Olhemos para trás, APENAS, para identificarmos o que não nos interessa no futuro e vejamos que o maior engodo do qual fomos vítima nesse meio milênio foi a “fé católica“.Não faz muito, nos demos ao desprazer de escolher entre República e Monarquia em movimento plebiscitário. Pelo amor de Deus! Já não basta um incontável número de palácios do Executivo e da Justiça dando ares de inacessibilidade aos cidadãos comuns. Para os tais existem um cem numero de reis populares: do futebol, do carnaval, da juventude, do jeitinho brasileiro, da roubalheira, da pistolagem, do tráfico, do pagode, disso e daquilo? E o que dizer dos palácios e castelos do futebol?Ainda há tempo de edificarmos uma nação pujante, SEM REIS E PALÁCIOS MAS COM CASAS PARA TODOS, repleta de provisão para o seu povo e com justiça social à altura da grandeza que lhe é inata. Façamos uma catarse e limpemos o nosso INCONSCIENTE COLETIVO, retiremos dele todo o lixo monárquico-católico pesado e substituamos pela leveza dos ideais republicanos de trabalho e oportunidades, onde nada está acabado mas sim por acabar e todos são chamados para esse mister. Se necessário for, exorcizemos os demônios do opróbrio que nos impede ver que não há determinismo social: rico vira pobre e pobre vira rico, contrariando o fatalismo monárquico-católico.
O Rei de que precisamos não é desse mundo tangível. Ele é intocável mas acessível porque habita em nós. É ele o autor da Ética capaz de promover O LIXO AO LUXO SEM PATERNALISMO.

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