Pesquisar este blog

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O Pouco Valorizado Presente do Descanso

(Por Sergio Fortes)

 

 

MANÁ DA SEGUNDA

www.cbmc.org.br

http://www.facebook.com/groups/CBMCBRASIL

https://soundcloud.com/cbmcbrasil

 

Recentemente passei um sábado inteiro em casa fazendo... nada. Tinha planejado ir a um belo parque na pequena cidade onde vivo, e vaguear por entre suas árvores gigantes, seus lagos e áreas abertas onde algumas famílias desfrutam de afetuosos piqueniques.

Por alguma razão, não pude fazer nenhuma dessas coisas. Ócio – você poderia chamar isso de preguiça, ou apatia espiritual e inatividade – tomaram conta de mim. Li um pouco, assisti TV por algum tempo, comi e dormi. Ao final do dia, porém, senti-me péssimo, quase culpado. Não pude deixar de sentir que havia desperdiçado o dia, sendo improdutivo.  Era como se tivesse perdido um dia.

Falando sobre isso com minha filha, uma psicóloga, ela despertou minha atenção ao me apresentar uma perspectiva diferente: "Não, pai, o descanso é um presente de Deus. Receba esse presente sem culpa e o curta." Inatividade, descanso — presentes de Deus?

Isso me fez lembrar que a semana que passou havia sido intensa, com muito trabalho difícil, além de várias viagens. É claro que eu precisava de um tempo de pausa, uma oportunidade para me reenergizar. Me lembrei de que a Bíblia nos diz que até mesmo Deus "...Acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que havia feito" (Gênesis 2:2). Não sei por que Deus precisou descansar, mas a Bíblia diz claramente que Ele "descansou". Então faz sentido que, tendo sido criados à Sua imagem, a cada semana, ao término do nosso trabalho, nós também separemos tempo para descansar. 

Certa vez, os apóstolos retornaram para Jesus depois de uma viagem ministerial de que Ele os havia incumbido. Ao apresentar seu relatório, eles narraram dias de trabalho árduo e fraqueza emocional. Nem mesmo tiveram tempo para comer. A resposta de Jesus lhes proporcionou uma lição significativa: "Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco" (Marcos 6:31). 

Há uma história de um sacerdote de uma pequena vila, depois de anos de trabalho duro, comunicou a seus paroquianos no sermão de domingo pela manhã, que ele pretendia tirar uns dias de férias. Na saída da igreja, três irmãs idosas fizeram objeção ao seu plano, expressando sua discordância e argumentando: "Como o senhor pode sair de férias? O senhor não sabe que o diabo não tira férias?" O velho sacerdote respondeu com humildade e sabedoria: "É por isso que eu preciso de férias: para não fazer as obras do diabo."    

Os desafios empresariais e profissionais diários que enfrentamos são imensos. Nem sempre conseguimos alcançar os objetivos que queremos. Os resultados às vezes são mínimos; em outros momentos, sentimo-nos como se não tivéssemos realizado nada. Em consequência, somos tentados a pensar que não temos direito ao lazer, porque ainda temos trabalho que precisa ser feito. 

Inconscientemente punimos a nós mesmos com programas de final de semana e atividade frenética, incluindo tudo o que podemos imaginar, exceto descansar. Nada de lazer. Algumas pessoas chegam a falar em "ócio criativo", talvez como uma reação inconsciente que mesmo no descanso deveríamos estar produzindo algo de valor. Contudo, não há necessidade para essa "punição" auto infligida. Como minha filha me fez lembrar, descanso é presente de Deus.

A próxima vez que você decidir descansar, lembre-se que não há razão para culpa ou para sentir que estar fazendo alguma coisa é sempre melhor do que não fazer nada. Ao contrário, dê a si mesmo o direito de não fazer nada, e faça isso com alegria e em perfeita paz, como presente de Deus para você. 

"Eu mesmo serei o pastor do Meu rebanho e encontrarei um lugar onde as ovelhas possam descansar. Sou Eu, o Senhor Deus quem está falando" (Ezequiel 34:15). 

 

 

 Sergio Fortes é consultor empresarial, especialista em logística e liderança corporativa, membro do CBMC BRASIL.

Nenhum comentário: