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terça-feira, 9 de outubro de 2007

CERVEJA EM GARRAFA PET?

Embalagem plástica demora cerca de 100 anos para se decompor, segundo especialistas
As principais fabricantes de bebidas estão prontas para vender cerveja em garrafas PET, o que deixa preocupados especialistas e ambientalistas, em razão do impacto ambiental. Serão mais 9 bilhões de embalagens de plástico por ano nas ruas, córregos e aterros sanitários, uma vez que não há lei que regulamente a destinação desse resíduo ou incentivos para a reciclagem do material.`Especialistas dizem que uma embalagem PET demora cerca de 100 anos para se decompor`, conta a doutora em ecologia urbana Maria do Carmo Bezerra, ex-secretária do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal. É possível concluir, então, que, como as garrafas PET começaram a chegar no Brasil há 20 anos, nenhuma das que foram descartadas no meio ambiente teve tempo suficiente para se decompor.Uma das saídas para aproveitar o PET já utilizado é a reciclagem do produto. Apesar disso, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), menos da metade (47%) dos 7 bilhões de embalagens PET que circulam a cada ano no mercado brasileiro é reciclada. O restante acaba sendo despejado na natureza como poluição.Na opinião de Cícero Bley Junior, engenheiro agrônomo e especialista em gestão de resíduos, isso acontece por vários motivos. Um deles é que o material ainda não pode ser reutilizado diretamente na embalagem de alimentos e bebidas - o seu maior mercado consumidor - por causa da contaminação. Isso não acontece com as latinhas de alumínio - que podem ser recicladas infinitamente - ou com as garrafas de vidro, que só precisam passar por uma limpeza e voltarem para o consumidor. `90% das latinhas de alumínio são recicladas`, completa.Na opinião de Alfredo Sette, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), o grande problema é a falta de incentivo à coleta das garrafas. `No Brasil, temos 58 empresas que utilizam matéria-prima de PET reciclado. Elas estão com 30% de ociosidade, por falta de PET coletado`, conta. Para ele, é preciso fortalecer o papel do catador. `Para isso é fundamental a atuação das prefeituras. São elas que podem organizar os catadores e fazer a coleta seletiva`, conta.Apesar disso, Cícero lembra que nem mesmo os catadores preferem o PET. `O processo de reciclagem do PET é caro e consome muita água na separação e limpeza dos materiais. Os catadores não gostam muito do PET por ser um material grande e com pouco peso, portanto rende menos lucro que a latinha`, conta.Atualmente, o que ainda impede que a cerveja seja envasada na garrafa PET é uma liminar concedida em Marília, no interior paulista, a pedido do procurador da República Jefferson Dias. A liminar exige que as empresas que desejarem fabricar cerveja em PET realizem e apresentem um estudo sobre o impacto ambiental. Apesar da liminar, duas empresas conseguiram na Justiça o direito de colocar no mercado a cerveja em PET.Na opinião de Sabetai Calderoni, diretor-presidente do Instituto Brasil Ambiente, as empresas, tanto as que produzem PET quanto as que usam a embalagem, devem se responsabilizar pela sua destinação. `Não podemos viver em um mundo onde haja a privatização dos lucros e sociabilização dos prejuízos`, afirma. Calderoni sugeriu, na Subcomissão Temporária da Regulamentação dos Marcos Regulatórios, vinculada à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, a adoção de uma Lei de Responsabilidade Ambiental para o Brasil, como forma de aperfeiçoar e integrar as normas legais que tratam do meio ambiente e da geração de resíduos sólidos no País.Para Géssica Elen, consultora do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, antes de decidir a favor ou contra a cerveja em PET é preciso avaliar as opções. `Teoricamente, as garrafas retornáveis são melhores do que as PET.` Segundo um estudo feito pela Universidade de Campinas (Unicamp), porém, a garrafa PET pode ter um impacto ambiental menor. `Foram calculadas as emissões de carbono e o consumo de água e energia nos processos de produção, lavagem, reutilização, distribuição e destinação final dos dois tipos de garrafas. Assim, descobriu-se que, para a garrafa de vidro ser mais sustentável, precisa ser utilizada, no mínimo, 28 vezes, e distribuída em distâncias de até 400 km do centro produtor. Do contrário, o impacto ambiental do PET é menor`, afirma. Para Géssica é preciso também avaliar, além da questão financeira, o impacto ambiental e o custo de recursos como água, energia, e transporte. `E isso depende de muitas variáveis`, completa.


ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

VANTAGENS DO PET


>Resistência e versatilidade do produto
>Facilidade de logística em relação ao vidro para as indústrias de bebidas, pois, além do baixo custo, elimina etapas de recolhimento de vasilhame e tratamento para a limpeza de garrafas
>Pode ser mais eficiente do que a garrafa reutilizável (de vidro) em regiões com escassez de água, energia e outros recursos naturais, ou quando percorre grandes distâncias no ciclo de distribuição
>O consumidor passou a evitar a troca de vasilhames e eliminou a necessidade de ter local para armazenamento em casa


DESVANTAGENS DO PET

>Maior consumo de água no processo de reciclagem e limpeza do material
>A garrafa pode ser contaminada com metais pesados de tintas, colas e rótulo
>Acúmulo de garrafas plásticas na natureza, já que é um material que não se desintegra com facilidade
>O PET reciclado não pode ser empregado na produção de novas embalagens de alimentos, pela resolução 105/99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
>Apesar de ser 100% reciclável, é mais barato para a indústria comprar a resina de PET `virgem`, em vez da reciclada

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