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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

MESMO COM PROIBIÇÃO NO CDC, PROPAGANDAS ESTIMULAM CRIANÇAS A CONSUMIR

Mesmo que o artigo 37 do CDC (Código de Defesa do Consumidor) explique que `é proibida toda a publicidade enganosa ou abusiva que (...) se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança`, aqui no Brasil as propagandas continuam a estimular o consumo por parte deste público, diferentemente do que acontece em outras partes do mundo.Segundo pesquisa do Ibope, as crianças brasileiras passam 35 horas por semana em frente à televisão. Bombardeadas com diversas propagandas, os pequenos com até 10 anos de idade não têm discernimento do que é comercial ou não, o que significa que a publicidade é abusiva.Atraídos por personagens de quem são fãs, acabam exigindo o consumo dos pais, os quais costumam satisfazer às vontades dos filhos. Uma prova disso é pesquisa da TNS que mostra que 71% das mães brasileiras pagariam mais para comprar a marca escolhida pelo filho.Pelo mundoA Revista do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) de outubro revelou que, no Reino Unido, um produto que custe mais de 15% do salário mínimo (menos de R$ 60 no Brasil) não pode ser divulgado para as crianças. Outra medida para desestimular o consumo é a proibição de personagens em comerciais no período de duas horas antes ou depois de programas infantis.Na Grécia, a propaganda de brinquedos é proibida na televisão entre 17h e 22h, enquanto na Bélgica e Holanda não pode ser exibido nenhum comercial para as crianças durante a exibição de programas para esse público.O Canadá, por sua vez, limita o tempo em que as emissoras podem veicular publicidade por hora e o Chile tem regras para que a publicidade respeite a ingenuidade e credulidade dos pequenos e a inexperiência dos jovens.ReclamaçõesNo Brasil, ao contrário do que acontece pelo mundo, os programas infantis vivem à custa do merchandising, que nada mais é do que a publicidade dos produtos diluída na programação normal. Todos tentam agregar valores emocionais.`A publicidade influencia porque diz às crianças que serão mais felizes se tiverem determinado produto ou usarem determinado serviço. Funciona como com os adultos, com a diferença de que os menores não compreendem a complexidade das relações de consumo`, afirmou a coordenadora do projeto criança e consumo do Instituto Alana, Isabella Henriques.

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